- Contigo é tudo ou nada, né?
- As pessoas são assim quando amam, eu pelo menos sou assim quando amo. Não consigo se não for intenso. Amor não combina com comedimento. Amor não é dieta, amor é banquete. Já me fudi muito por ser assim.
- Mas o bom é que no final de tudo, a gente sempre aprende e muda.
- Talvez, eu já acho que ninguém nunca aprende nada, só fica cansado de sofrer e errar tanto. É condicionamento, não aprendizado.
- Então não existe mudança?
- Não, existe adestramento, tal qual um cachorro. Só que eu sou igual um javali ou hipopótamo, só consigo olhar pra frente e dar com a cabeça na parede. E a maioria das pessoas é como qualquer animal de estimação. Qualquer um que você escolher: cachorro, pônei, papagaio, qualquer coisa domesticável, que se mistura na multidão e some fácil. Já eu não, eu sou uma girafa passeando em plena Visconde de Pirajá.
- Com certeza é bem diferente...
- Claro! Sou da turma dos apaixonados, intensos, que choram, amam, se descabelam, os animais selvagens da sociedade, das convenções amorosas sobre o que seria uma relação sadia, os que se fodem e nem assim aprendem. Tinham que me colocar numa jaula, e me prender bem longe das dores de corno, das fodas mal-dadas, das bebedeiras apaixonadas, do sexo irresponsável, desse vazio que sinto agora por causa de alguém que conheci semana passada, e que já queimou todo o combustível que tinha pra queimar comigo e me largou assim, de tanque cheio.
- Parece bem triste dito assim, desse jeito.
- Já viu paixão não correspondida ser feliz?
- Sinto muito, não queria que fosse assim.
- Nem eu, mas não liga. É quase certo que semana que vem já vai ter alguém no seu lugar.
Sunday, May 03, 2009
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