São pequenos choques,
que começam mansinho e viram trovões.
O seu corpo tremendo, sua pele enrijecendo,
a união intensa dos nossos tesões.
Seu toque me invade,
sua fala me excita
e ao mesmo tempo me traz muita calma.
Seus ruídos, seus cheiros,
seu suor, seus cabelos
te fazem senhora,
que domina minha alma.
Movimentos constantes,
fortes, consoantes,
apertos
espremendo e apertando
desejos.
As suas e as minhas taras,
fundindo-se em uma
ao calor dos seus beijos.
E a que pese o que chamam,
os outros amantes
sobre aquele grande, melhor momento,
nós nunca promovemos pequenas mortes,
porque cada gozo nosso,
é um novo nascimento.
Monday, May 18, 2009
Thursday, May 07, 2009
Imune
Você me imuniza.
Você me protege de amores insanos,
de amores menores,
de acertos e enganos.
Você me imuniza.
Se inocula em meu corpo cada vez que me beija.
Você me imuniza,
cada vez que me deixa entrar em você
com seu jeito quente e manso
com seus carinhos que ardem e machucam,
que perfuram e esquentam
que transbordam e explodem
e por fim
acalmam.
Você me protege de loucuras e de chamas,
de jogos e de tramas
e dores.
Você me imuniza de todos os amores
que não sejam o seu
de porres e fossas que não sejam por você
de ausências, demoras
você me imuniza de tudo
porque você domina meu todo
percorre com seu cheiro o meu corpo
e não deixa espaço
pra mais parte ou todo nenhum.
Nota: É seu, pra você, feito pensando em você. Ainda que não diga o seu nome. ;)
Você me protege de amores insanos,
de amores menores,
de acertos e enganos.
Você me imuniza.
Se inocula em meu corpo cada vez que me beija.
Você me imuniza,
cada vez que me deixa entrar em você
com seu jeito quente e manso
com seus carinhos que ardem e machucam,
que perfuram e esquentam
que transbordam e explodem
e por fim
acalmam.
Você me protege de loucuras e de chamas,
de jogos e de tramas
e dores.
Você me imuniza de todos os amores
que não sejam o seu
de porres e fossas que não sejam por você
de ausências, demoras
você me imuniza de tudo
porque você domina meu todo
percorre com seu cheiro o meu corpo
e não deixa espaço
pra mais parte ou todo nenhum.
Nota: É seu, pra você, feito pensando em você. Ainda que não diga o seu nome. ;)
Wednesday, May 06, 2009
Dicionário
Quero te amar em italiano,
te comer em russo,
te xingar em árabe,
te fazer sofrer em húngaro,
te beijar em francês,
te aceitar em esperanto,
ouvir em português seu canto, seu pranto,
e me render em japonês,
amanhecer espanhol,
anoitecer em alemão,
te entender em inglês,
te cheirar em sérvio,
te sorver em sueco,
te dominar em turco,
e inventar um idioma que me ajude a compreender
toda essa eloquência
desse teu silêncio mudo.
te comer em russo,
te xingar em árabe,
te fazer sofrer em húngaro,
te beijar em francês,
te aceitar em esperanto,
ouvir em português seu canto, seu pranto,
e me render em japonês,
amanhecer espanhol,
anoitecer em alemão,
te entender em inglês,
te cheirar em sérvio,
te sorver em sueco,
te dominar em turco,
e inventar um idioma que me ajude a compreender
toda essa eloquência
desse teu silêncio mudo.
Foot Fetish
Unhas do pé pintadas,
irresistível
passa a gata.
Fingindo não saber que é
tem certeza que causa inveja
até do chão sob o seu pé.
irresistível
passa a gata.
Fingindo não saber que é
tem certeza que causa inveja
até do chão sob o seu pé.
Tuesday, May 05, 2009
Impossível
Tentei viver sem você
foi triste a experiência
tal como tentar escrever
sem exclamação nem reticência.
foi triste a experiência
tal como tentar escrever
sem exclamação nem reticência.
Monday, May 04, 2009
Sunday, May 03, 2009
Inteiro
Eu estava sentado naquela mesa havia umas duas horas, pelo menos. Bebi café, comi biscoitos de nozes, bebi água, bebi mais água, tive que sair para ir no banheiro, preocupado em deixar ou não a mochila sobre a cadeira.
Se deixasse, poderia ser roubado, se a levasse comigo demonstraria um apego quase suburbano à alguns trocados, celular e video-game, este último aliás, nada a ver com meus mais de 30 anos (nerd é uma merda, quase deu rima).
Resolvi deixar na cadeira mesmo, uma atitude vale milhões, não é o que dizem? Desapegado, largado, cool. Infelizmente nunca consegui ser assim, nem colocando cera no cabelo antes de dormir e não encostando a mão nele na manhã seguinte. Tudo ainda soava como alguém querendo ser o que não era.
Minha casa, com seus móveis, livros e objetos bem arrumados, arrumação que eu não conseguia evitar. Minhas roupas num meio termo entre o largado, o mal-arrumado, o mauricinho wannabe e o doidão que nunca saiu da gaiola, não ajudavam em nada a criar um estilo, e até as minhas tatuagens eram comportadas demais, se é que algo assim seja possível e real fora da minha cabeça despirocada.
Nunca subi uma montanha, mas já estivera no meio do caminho, até aonde era seguro. Nunca tive um filho mas trato algumas crianças queridas como se fossem, não servi o exército, não viajei para a Europa de mochila, mas fui aos Estados Unidos duas vezes (pagando caro pra ficar em hotel), molhei os pés no Amazonas mas não mergulhei no rio.
Tomei porres, experimentei várias drogas mas nem elas conseguiram me viciar, me enlouquecer.
A vida não serve de porra nenhuma se você não se entregar, não mergulhar sem medo, não se fuder, não chorar. Ninguém vive de verdade se nunca sentiu dor de corno, se nunca meteu e nem levou chifre, se nunca se apaixonou pela namorada do vizinho, se nunca quis quem não podia ter.
Ninguém viveu de verdade sem pagar mico por amor, se não sentou no meio fio se perguntando "porque eu?", se não comprou algo que não podia pagar, pouco se importando com as contas que iam chegar no final do mês.
Se apaixonar de verdade, é estourar o limite do cartão.
E até ali, comigo nada tinha sido desse jeito, não assim, como foi contigo.
Tudo foi assim até você.
Grandes merdas tudo o que eu fiz antes, sempre, sempre, seriam metade perto do que você já havia feito. Viajou, amou, curtiu, viveu tudo no 100% ou então nada, mas nunca ousou parar nos 50%, aonde eu sempre engasgava mais do que Chevette em dia de enchente.
Ali naquela mesa, ao voltar do banheiro e ver com alívio que a mochila e o que tinha dentro dela estavam intactos, tive o choque da primeira visão. Não vou te descrever, não. Acabaria usando meias palavras e isso você não merece. Mas vou falar do que senti.
Um vento correu pelas minhas costas e um calor sumiu pro meu rosto. Seu olhar me feriu de morte e me tirou do eixo, do meu centro. Cambaleei por lugares aonde nunca havia ido.
Fui na Europa, escalei uma montanha, tive 10 filhos e mergulhei de cabeça no rio Amazonas, em plena pororoca. Tudo isso em uns 10 segundos. Essa é você, essa foi você.
De mãos dadas você me re-ensinou os gostos do café, os goles que tem num copo d´agua, o quanto é gostoso sentir a grama sob os pés e quantos cheiros e gostos pode ter uma mulher. Você me ensinou a ser eu.
Agora essa bagunça que você deixa quando sai, é a arrumação que eu desejo e meu cabelo emaranhado, é culpa dos seus beijos, até minhas roupas mudaram apesar de serem as mesmas, é que me vejo diferente, me sinto diferente, você me mostrou quem eu sou.
Os arranhões que você deixa nas minhas costas depois de cada sexo violento que faz, dizem mais sobre mim do que todos esses desenhos que eu colecionei na pele durante anos.
Nas calçadas aonde andamos, nas camas aonde trepamos, fotografias, cartas, ligações, sua voz, seu "alô". Você me deixa te ter, sem no entanto me pertencer, qual é o segredo? Nunca achei que uma mulher como você fosse me olhar, me querer, mas e daí?
Você quis, eu quero. São só esses 100% que agora me interessam.
Você pode me ferrar depois, me jogar na frente de um ônibus, dizer que tudo foi mentira, dizer que fingiu quando gozava e que me traiu com o vizinho do andar de baixo, não tô nem aí.
Você me trouxe além e se mais nada sobrar, se dessa paixão louca só ficar a dor, vou encher a cara e chorar dia e noite até esquecer, vou trepar com 300 mulheres e com 150 delas vou imaginar que é você. Mas pelo menos agora não serei mais metade.
E estarei aqui, pronto, sempre que você quiser me usar de novo.
Só que dessa vez, inteiro.
Se deixasse, poderia ser roubado, se a levasse comigo demonstraria um apego quase suburbano à alguns trocados, celular e video-game, este último aliás, nada a ver com meus mais de 30 anos (nerd é uma merda, quase deu rima).
Resolvi deixar na cadeira mesmo, uma atitude vale milhões, não é o que dizem? Desapegado, largado, cool. Infelizmente nunca consegui ser assim, nem colocando cera no cabelo antes de dormir e não encostando a mão nele na manhã seguinte. Tudo ainda soava como alguém querendo ser o que não era.
Minha casa, com seus móveis, livros e objetos bem arrumados, arrumação que eu não conseguia evitar. Minhas roupas num meio termo entre o largado, o mal-arrumado, o mauricinho wannabe e o doidão que nunca saiu da gaiola, não ajudavam em nada a criar um estilo, e até as minhas tatuagens eram comportadas demais, se é que algo assim seja possível e real fora da minha cabeça despirocada.
Nunca subi uma montanha, mas já estivera no meio do caminho, até aonde era seguro. Nunca tive um filho mas trato algumas crianças queridas como se fossem, não servi o exército, não viajei para a Europa de mochila, mas fui aos Estados Unidos duas vezes (pagando caro pra ficar em hotel), molhei os pés no Amazonas mas não mergulhei no rio.
Tomei porres, experimentei várias drogas mas nem elas conseguiram me viciar, me enlouquecer.
A vida não serve de porra nenhuma se você não se entregar, não mergulhar sem medo, não se fuder, não chorar. Ninguém vive de verdade se nunca sentiu dor de corno, se nunca meteu e nem levou chifre, se nunca se apaixonou pela namorada do vizinho, se nunca quis quem não podia ter.
Ninguém viveu de verdade sem pagar mico por amor, se não sentou no meio fio se perguntando "porque eu?", se não comprou algo que não podia pagar, pouco se importando com as contas que iam chegar no final do mês.
Se apaixonar de verdade, é estourar o limite do cartão.
E até ali, comigo nada tinha sido desse jeito, não assim, como foi contigo.
Tudo foi assim até você.
Grandes merdas tudo o que eu fiz antes, sempre, sempre, seriam metade perto do que você já havia feito. Viajou, amou, curtiu, viveu tudo no 100% ou então nada, mas nunca ousou parar nos 50%, aonde eu sempre engasgava mais do que Chevette em dia de enchente.
Ali naquela mesa, ao voltar do banheiro e ver com alívio que a mochila e o que tinha dentro dela estavam intactos, tive o choque da primeira visão. Não vou te descrever, não. Acabaria usando meias palavras e isso você não merece. Mas vou falar do que senti.
Um vento correu pelas minhas costas e um calor sumiu pro meu rosto. Seu olhar me feriu de morte e me tirou do eixo, do meu centro. Cambaleei por lugares aonde nunca havia ido.
Fui na Europa, escalei uma montanha, tive 10 filhos e mergulhei de cabeça no rio Amazonas, em plena pororoca. Tudo isso em uns 10 segundos. Essa é você, essa foi você.
De mãos dadas você me re-ensinou os gostos do café, os goles que tem num copo d´agua, o quanto é gostoso sentir a grama sob os pés e quantos cheiros e gostos pode ter uma mulher. Você me ensinou a ser eu.
Agora essa bagunça que você deixa quando sai, é a arrumação que eu desejo e meu cabelo emaranhado, é culpa dos seus beijos, até minhas roupas mudaram apesar de serem as mesmas, é que me vejo diferente, me sinto diferente, você me mostrou quem eu sou.
Os arranhões que você deixa nas minhas costas depois de cada sexo violento que faz, dizem mais sobre mim do que todos esses desenhos que eu colecionei na pele durante anos.
Nas calçadas aonde andamos, nas camas aonde trepamos, fotografias, cartas, ligações, sua voz, seu "alô". Você me deixa te ter, sem no entanto me pertencer, qual é o segredo? Nunca achei que uma mulher como você fosse me olhar, me querer, mas e daí?
Você quis, eu quero. São só esses 100% que agora me interessam.
Você pode me ferrar depois, me jogar na frente de um ônibus, dizer que tudo foi mentira, dizer que fingiu quando gozava e que me traiu com o vizinho do andar de baixo, não tô nem aí.
Você me trouxe além e se mais nada sobrar, se dessa paixão louca só ficar a dor, vou encher a cara e chorar dia e noite até esquecer, vou trepar com 300 mulheres e com 150 delas vou imaginar que é você. Mas pelo menos agora não serei mais metade.
E estarei aqui, pronto, sempre que você quiser me usar de novo.
Só que dessa vez, inteiro.
Velocidade da luz
- Contigo é tudo ou nada, né?
- As pessoas são assim quando amam, eu pelo menos sou assim quando amo. Não consigo se não for intenso. Amor não combina com comedimento. Amor não é dieta, amor é banquete. Já me fudi muito por ser assim.
- Mas o bom é que no final de tudo, a gente sempre aprende e muda.
- Talvez, eu já acho que ninguém nunca aprende nada, só fica cansado de sofrer e errar tanto. É condicionamento, não aprendizado.
- Então não existe mudança?
- Não, existe adestramento, tal qual um cachorro. Só que eu sou igual um javali ou hipopótamo, só consigo olhar pra frente e dar com a cabeça na parede. E a maioria das pessoas é como qualquer animal de estimação. Qualquer um que você escolher: cachorro, pônei, papagaio, qualquer coisa domesticável, que se mistura na multidão e some fácil. Já eu não, eu sou uma girafa passeando em plena Visconde de Pirajá.
- Com certeza é bem diferente...
- Claro! Sou da turma dos apaixonados, intensos, que choram, amam, se descabelam, os animais selvagens da sociedade, das convenções amorosas sobre o que seria uma relação sadia, os que se fodem e nem assim aprendem. Tinham que me colocar numa jaula, e me prender bem longe das dores de corno, das fodas mal-dadas, das bebedeiras apaixonadas, do sexo irresponsável, desse vazio que sinto agora por causa de alguém que conheci semana passada, e que já queimou todo o combustível que tinha pra queimar comigo e me largou assim, de tanque cheio.
- Parece bem triste dito assim, desse jeito.
- Já viu paixão não correspondida ser feliz?
- Sinto muito, não queria que fosse assim.
- Nem eu, mas não liga. É quase certo que semana que vem já vai ter alguém no seu lugar.
- As pessoas são assim quando amam, eu pelo menos sou assim quando amo. Não consigo se não for intenso. Amor não combina com comedimento. Amor não é dieta, amor é banquete. Já me fudi muito por ser assim.
- Mas o bom é que no final de tudo, a gente sempre aprende e muda.
- Talvez, eu já acho que ninguém nunca aprende nada, só fica cansado de sofrer e errar tanto. É condicionamento, não aprendizado.
- Então não existe mudança?
- Não, existe adestramento, tal qual um cachorro. Só que eu sou igual um javali ou hipopótamo, só consigo olhar pra frente e dar com a cabeça na parede. E a maioria das pessoas é como qualquer animal de estimação. Qualquer um que você escolher: cachorro, pônei, papagaio, qualquer coisa domesticável, que se mistura na multidão e some fácil. Já eu não, eu sou uma girafa passeando em plena Visconde de Pirajá.
- Com certeza é bem diferente...
- Claro! Sou da turma dos apaixonados, intensos, que choram, amam, se descabelam, os animais selvagens da sociedade, das convenções amorosas sobre o que seria uma relação sadia, os que se fodem e nem assim aprendem. Tinham que me colocar numa jaula, e me prender bem longe das dores de corno, das fodas mal-dadas, das bebedeiras apaixonadas, do sexo irresponsável, desse vazio que sinto agora por causa de alguém que conheci semana passada, e que já queimou todo o combustível que tinha pra queimar comigo e me largou assim, de tanque cheio.
- Parece bem triste dito assim, desse jeito.
- Já viu paixão não correspondida ser feliz?
- Sinto muito, não queria que fosse assim.
- Nem eu, mas não liga. É quase certo que semana que vem já vai ter alguém no seu lugar.
Friday, May 01, 2009
A fofoqueira
Todo dia
era "bom dia,vizinha!".
"Bom dia, vizinha."
Todo dia.
Todo dia,
ela ali,
naquela janela,
o dia todo,
"Bom dia, vizinha!".
As crianças iam crescendo,
as barrigas aumentando,
os cabelos encolhendo,
e ela lá,
todo dia,
"Bom dia, vizinha!".
Minha geladeira também é cheia,
o meu filho também estuda,
é o meu marido que lava as meias,
no sábado tem salada de fruta.
O meu carro também é bonito,
minha filha também se formou,
vou pintar o apartamento,
enquanto você pensa em ir,
eu vou.
Todo dia, toda tarde, toda noite,
"Oi, vizinha!"
Na janela, virada pra fora,
pra não ter que olhar pra dentro,
ver que o tempo está passando,
e o relógio derretendo.
Todo dia, ela estava lá,
todo mundo vivendo a vida,
cada qual, a sua vida,
e ela,
a de todo mundo.
"Bom dia, vizinha!",
"Bom dia, vizinha.".
era "bom dia,vizinha!".
"Bom dia, vizinha."
Todo dia.
Todo dia,
ela ali,
naquela janela,
o dia todo,
"Bom dia, vizinha!".
As crianças iam crescendo,
as barrigas aumentando,
os cabelos encolhendo,
e ela lá,
todo dia,
"Bom dia, vizinha!".
Minha geladeira também é cheia,
o meu filho também estuda,
é o meu marido que lava as meias,
no sábado tem salada de fruta.
O meu carro também é bonito,
minha filha também se formou,
vou pintar o apartamento,
enquanto você pensa em ir,
eu vou.
Todo dia, toda tarde, toda noite,
"Oi, vizinha!"
Na janela, virada pra fora,
pra não ter que olhar pra dentro,
ver que o tempo está passando,
e o relógio derretendo.
Todo dia, ela estava lá,
todo mundo vivendo a vida,
cada qual, a sua vida,
e ela,
a de todo mundo.
"Bom dia, vizinha!",
"Bom dia, vizinha.".
Monday, April 27, 2009
Velho álbum
E dentro daquela fotografia,
eu mergulho em mim
e vejo nossos toques e arrepios
calores e calafrios
O que tivemos, o que sentimos
ainda aqui, bem vivos,
nesse livro que conta nossa história com imagens.
Num minuto,
parece que passou.
mas não, não passou.
só mudou.
Como aquela foto guardada,
que sem apagar, envelheceu
guardando aquele "nós"
que nem o tempo empobreceu.
E nossos rostos,
tão novos
me fazem viajar outra vez pra aquele lugar
Me consumindo em sedes e ânsias recorrentes,
essa vontade de você,
essa fome de te abraçar.
eu mergulho em mim
e vejo nossos toques e arrepios
calores e calafrios
O que tivemos, o que sentimos
ainda aqui, bem vivos,
nesse livro que conta nossa história com imagens.
Num minuto,
parece que passou.
mas não, não passou.
só mudou.
Como aquela foto guardada,
que sem apagar, envelheceu
guardando aquele "nós"
que nem o tempo empobreceu.
E nossos rostos,
tão novos
me fazem viajar outra vez pra aquele lugar
Me consumindo em sedes e ânsias recorrentes,
essa vontade de você,
essa fome de te abraçar.
Saturday, January 03, 2009
Tempo passado
Amei mais do que ninguém,
não sei se de verdade, de fato
correspondido por alguém
deixei passar o tempo
deixei passar pessoas
possibilidades
convergências
aparas
arestas
você e eu,
agora só tenho o tenho o tempo que me resta
porque aquele que passou não é mais meu.
não sei se de verdade, de fato
correspondido por alguém
deixei passar o tempo
deixei passar pessoas
possibilidades
convergências
aparas
arestas
você e eu,
agora só tenho o tenho o tempo que me resta
porque aquele que passou não é mais meu.
Monday, December 22, 2008
Farol
A nossa cama vira um mar,
e nós,
lado a lado,
somos cada um
um continente
me sinto incapaz de navegar
e ir ao seu encontro,
de enfrentar seu furioso litoral,
vencer sua correnteza,
ter coragem e
olhar para frente
Nesta torre aqui sentado,
na minha praia,
eu tento ver a sua no horizonte
mais distante,
mais além
o meu farol já está quase se apagando,
de tanto esperar seu barco,
de tanto não vir ninguém.
e nós,
lado a lado,
somos cada um
um continente
me sinto incapaz de navegar
e ir ao seu encontro,
de enfrentar seu furioso litoral,
vencer sua correnteza,
ter coragem e
olhar para frente
Nesta torre aqui sentado,
na minha praia,
eu tento ver a sua no horizonte
mais distante,
mais além
o meu farol já está quase se apagando,
de tanto esperar seu barco,
de tanto não vir ninguém.
Thursday, November 06, 2008
Infinito
Um sem contar de contos,
incontáveis, incontados,
é você,
festival de perfumes,
que me levam a perceber,
como essa vida é curta,
para os seus caminhos percorrer.
incontáveis, incontados,
é você,
festival de perfumes,
que me levam a perceber,
como essa vida é curta,
para os seus caminhos percorrer.
Monday, July 21, 2008
A média, o todo
A nota média serve para passar em tudo,
menos na prova da vida.
Nessa não passa.
Não se é feliz se for metade,
e nem se chora três lágrimas e meia
a dor de uma desgraça.
Não conheço o infeliz trinta por cento,
nem alguém que experimente o prazer sem desejar.
Semi-despido, um quase gozo,
somente meia taça
não faz ninguém se embriagar.
Não existe "eu te amo" sem o te.
Muito menos o eu, se não amo.
Não existe nós
sem ser inteiro,
se temos medo da sorte
ou de cometer algum engano.
E meu coração será de quem,
transpirando, me fizer transpirar.
Desejando, me fizer desejar,
e inteiramente me intime,
a pular de cabeça
no seu mar
de amar.
menos na prova da vida.
Nessa não passa.
Não se é feliz se for metade,
e nem se chora três lágrimas e meia
a dor de uma desgraça.
Não conheço o infeliz trinta por cento,
nem alguém que experimente o prazer sem desejar.
Semi-despido, um quase gozo,
somente meia taça
não faz ninguém se embriagar.
Não existe "eu te amo" sem o te.
Muito menos o eu, se não amo.
Não existe nós
sem ser inteiro,
se temos medo da sorte
ou de cometer algum engano.
E meu coração será de quem,
transpirando, me fizer transpirar.
Desejando, me fizer desejar,
e inteiramente me intime,
a pular de cabeça
no seu mar
de amar.
Monday, July 14, 2008
Amor e futebol
eu sou o cara do sofrimento,
da coisa suada,
dolorida,
esperada,
quase perdida,
só vencida na prorrogação.
No futebol, sou Palmeiras,
mas no amor, eu sou um corinthiano.
da coisa suada,
dolorida,
esperada,
quase perdida,
só vencida na prorrogação.
No futebol, sou Palmeiras,
mas no amor, eu sou um corinthiano.
Friday, June 27, 2008
Pós-sexo
- Você na verdade só quer me comer não é?
- Comer, beber, cheirar...o que der pra fazer.
- Mas você não me ama!
- Não acabamos agora mesmo de fazer amor?
- Sim, é verdade, mas eu preferia fuder.
- Mas não era amor o que você queria?
- Queria não, quero. É que a gente só fode a quem se ama. Entendeu?
- Sim, em todos os sentidos.
- Comer, beber, cheirar...o que der pra fazer.
- Mas você não me ama!
- Não acabamos agora mesmo de fazer amor?
- Sim, é verdade, mas eu preferia fuder.
- Mas não era amor o que você queria?
- Queria não, quero. É que a gente só fode a quem se ama. Entendeu?
- Sim, em todos os sentidos.
Friday, June 13, 2008
Dentro do avião
Imaginárias ruas escuras me levam ao vôo
e do outro lado,
o novo.
E assim vou,
com as luzes de postes distantes
guiando minhas asas,
como estrelas aqui no céu.
Seu céu, meu sol.
Agora pairo leve,
sobre o chão que você pisa
e flutuo sobre nossas vidas,
vendo que o sentido de tudo está na
volta.
Estranha, curiosa volta
que sempre renova o mesmo
e precede nova ida.
e do outro lado,
o novo.
E assim vou,
com as luzes de postes distantes
guiando minhas asas,
como estrelas aqui no céu.
Seu céu, meu sol.
Agora pairo leve,
sobre o chão que você pisa
e flutuo sobre nossas vidas,
vendo que o sentido de tudo está na
volta.
Estranha, curiosa volta
que sempre renova o mesmo
e precede nova ida.
Saturday, May 03, 2008
Anacronismo
Anos e anos depois
de inventarem a roda,
e o carro
e o jato
e até reinventarem o espaço
A penicilina, a aspirina
a cura de alguns males,
e o alívio para as dores,
de percorrermos o planeta num traço
e vivermos até virarmos bagaço
Ainda se morre de amores,
os mesmos velhos amores.
de inventarem a roda,
e o carro
e o jato
e até reinventarem o espaço
A penicilina, a aspirina
a cura de alguns males,
e o alívio para as dores,
de percorrermos o planeta num traço
e vivermos até virarmos bagaço
Ainda se morre de amores,
os mesmos velhos amores.
Wednesday, April 02, 2008
Quase lá
Tinha 36 anos completos naquele semestre, quando mais novo sempre imaginou que chegaria até ali bem diferente do que a realidade acabou se mostrando. Achou que seria mais responsável, que estaria mais "longe" em todos os aspectos de sua vida e principalmente, que todas aquelas velhas dúvidas não estariam mais ali.
Tudo bem que não soubesse de tudo sobre a vida, já que apesar de ser razoavelmente inteligente e ter algum estudo, não se considerava uma pessoa brilhante.
Mas apesar de saber pequenas coisas, não conhecia direito nem quem era, o que queria e onde pretendia estar. Não possuia muitas alternativas como destino, tinha uma vida totalmente mediana. Meio tarde para pensar nisso tudo não? Talvez.
Ponderou isso tudo ao sair da farmácia, sentindo um vento fresco que descia do céu em espirais convida-lo para tomar um café, gosto e aroma que lhe davam tanto prazer e que talvez serviriam para aliviar aquela angústia em seu peito.
Tantas vezes esquecera estes pensamentos entregando-se à prazeres fúteis(será que são mesmo? Será que algum prazer verdadeiro o é?), comprando livros e Cds, objetos de deliciosa inutilidade, indo ao cinema ou simplesmente tomando um mocaccino quente e doce, mas não, nada disso serviria daquela vez.
Naquele momento seus filhos não nascidos(porque não feitos) o chamavam, aquela faculdade ou curso não terminados(talvez nem iniciados) faziam falta, seus amigos não conhecidos, lugares não vistos. Tudo aquilo que era naturalmente seu, bastava apenas que esticasse a mão e que mereceu pouca atenção, e acabou sendo levado pelo tempo, agora pesavam nas suas costas.
Simplesmente caminhava olhando o rosto das pessoas que passavam por ele na rua, imaginando quantas daquelas vidas poderiam dizer-se verdadeiramente completas. Não importava, a sua não era.
Entrou em um destes hotéis vagabundos, acima de um sobrado. Passou pelas putas que ficavam ali em frente oferecendo seus préstimos e entrou. Do jeito que estava nem se fossem muito mais bonitas do que eram ele teria prestado mais atenção. Pegou as chaves do quarto e subiu a escada de madeira escura. Um estreito corredor, cheio de portinhas e com uma sacada que dava para a rua no final se apresentou.
Foi olhando os números, 31, 32, 33, 34, 35, 36...só podia ser sacanagem do cara, quarto 36! Sua idade! Entrou e viu a cama recém-arrumada, um pequeno remendo no tecido na altura da cabeceira, do lado direito. Um ventilador de teto, uma porta que se abria para o banheiro, janelas de veneziana verdes e paredes cor creme, já meio descascadas. Uma televisão no alto de um daqueles suportes estava desligada e seu fio pendia até uma tomada na parede.
Não pode deixar de imaginar os amores e sexos que já haviam sido feitos ali. Amores proibidos, clandestinos, suburbanos, necessitados, mal remunerados. Disso pelo menos entendia muito bem.
Sentou-se na cama e abriu o pacote da farmácia, enquanto ligava a TV. Canal aberto, algum programa de entrevistas populares. Marido que bateu na mulher que o traiu, filha que maltrata a mãe, um irmão que roubou o outro. Ah o ser humano...
Pegou um copo d´agua, colocou na mesa de cabeceira, tirou os sapatos e as meias e recostou-se no travesseiro. Abriu o vidrinho que tirou do pacote lendo "bromazepan". Brumário? Longe disso, aquilo era uma rendição.
Deve funcionar, pensou. Quantos? 10?20? Tudo né? Não teria porque ser econômico justo agora. Haveria quem chorasse é claro(será?). Haveria também quem dissesse que foi uma fraqueza, covardia. Estava mais preocupado é com a forma como seria recebido do outro lado, caso houvesse um outro lado, é claro. Acreditava que havia, mas vai saber.
Bem, restava torcer para que certas coisas que lera por aí não fossem verdades. Todas as religiões monoteístas que conhecia condenavam veementemente aquilo. Desejou ser um japonês nesse momento, algum kamikaze usando capacete e voando de cabeça rumo ao aço de um grande navio, com toda honra. Riu desse pensamento.
Colocou tudo em uma das mãos e ficou ali admirando aqueles pequenos comprimidos, pareciam até os mini-chicletes que ele comprava na saída do colégio quando era moleque.
Pensou nos diversos hotéis nos quais já estivera, feliz, triste, espairecendo e fugindo da realidade, amando, conhecendo o mundo, derpertando. Agora não haveria despertar. Como desejou um despertar.
Este não era dos piores, mas será que merecia a honra de ser o último? Nem ar-condicionado e TV a cabo tinha! A cama era dura, remendada(já dormira e amara em outras camas remendadas antes, mas isto?), no frigobar só tinha água e a frequencia, a tomar pelo movimento da portaria, parecia saída de um filme de zumbis, se é que podem existir mortos-vivos sexólatras.
Se pelo menos estivesse bebendo um whisky, numas suíte envidraçada com vista para o mar, um Tom Jobim tocando(samba do avião para uma despedida),um bilhete de adeus escrito numa folha destacada do seu moleskine e colocada sob a garrafa do Logan, para que não voasse. Mas água que não sabia nem se era mineral, ao som dos "Bate-bocas Populares" na televisão daquele quartinho abafado de um hotel cheio de putas do lado de fora,que privavelmente ficariam ali me olhando, comentando e especulando razões e apressariam o trabalho da polícia para que pudessem faturar uma graninha ali no cenário da minha despedida final, não. Não era um cenário decente para ninguém dar adeus a este mundo, pelo menos não voluntáriamente.
Um assassinato ali, vá lá, até combina com o lugar(solta uma gargalhada ao pensar nisso e ao mesmo tempo vê uma mancha na parece, seria chocolate?), mas suicídio? Não, não tinha como ser ali. Merecia algo melhor, ainda mais porque se não houvesse nada depois, aquela seria sua última experiência.
Recolheu os comprimidos, colando-os um a um de volta no vidrinho e calçou-se. O que será que está passando de bom no cinema? Pensou.
Saiu dali tão depressa quanto entrou, ganhando a rua em apenas alguns segundos. Respirou fundo aquele ar pesado de final de tarde, inicio de noite.
Seu senso estético e pretenso bom gosto, aliados ao seu horror ao desconforto o haviam salvo daquela vez. Ainda não fora aquela a sua despedida, riu pensando, mas sabe-se lá do que um quarto de frente no Caesar Park e aquele vidrinho no seu bolso não seriam capazes de fazer uma hora destas.
Tudo bem que não soubesse de tudo sobre a vida, já que apesar de ser razoavelmente inteligente e ter algum estudo, não se considerava uma pessoa brilhante.
Mas apesar de saber pequenas coisas, não conhecia direito nem quem era, o que queria e onde pretendia estar. Não possuia muitas alternativas como destino, tinha uma vida totalmente mediana. Meio tarde para pensar nisso tudo não? Talvez.
Ponderou isso tudo ao sair da farmácia, sentindo um vento fresco que descia do céu em espirais convida-lo para tomar um café, gosto e aroma que lhe davam tanto prazer e que talvez serviriam para aliviar aquela angústia em seu peito.
Tantas vezes esquecera estes pensamentos entregando-se à prazeres fúteis(será que são mesmo? Será que algum prazer verdadeiro o é?), comprando livros e Cds, objetos de deliciosa inutilidade, indo ao cinema ou simplesmente tomando um mocaccino quente e doce, mas não, nada disso serviria daquela vez.
Naquele momento seus filhos não nascidos(porque não feitos) o chamavam, aquela faculdade ou curso não terminados(talvez nem iniciados) faziam falta, seus amigos não conhecidos, lugares não vistos. Tudo aquilo que era naturalmente seu, bastava apenas que esticasse a mão e que mereceu pouca atenção, e acabou sendo levado pelo tempo, agora pesavam nas suas costas.
Simplesmente caminhava olhando o rosto das pessoas que passavam por ele na rua, imaginando quantas daquelas vidas poderiam dizer-se verdadeiramente completas. Não importava, a sua não era.
Entrou em um destes hotéis vagabundos, acima de um sobrado. Passou pelas putas que ficavam ali em frente oferecendo seus préstimos e entrou. Do jeito que estava nem se fossem muito mais bonitas do que eram ele teria prestado mais atenção. Pegou as chaves do quarto e subiu a escada de madeira escura. Um estreito corredor, cheio de portinhas e com uma sacada que dava para a rua no final se apresentou.
Foi olhando os números, 31, 32, 33, 34, 35, 36...só podia ser sacanagem do cara, quarto 36! Sua idade! Entrou e viu a cama recém-arrumada, um pequeno remendo no tecido na altura da cabeceira, do lado direito. Um ventilador de teto, uma porta que se abria para o banheiro, janelas de veneziana verdes e paredes cor creme, já meio descascadas. Uma televisão no alto de um daqueles suportes estava desligada e seu fio pendia até uma tomada na parede.
Não pode deixar de imaginar os amores e sexos que já haviam sido feitos ali. Amores proibidos, clandestinos, suburbanos, necessitados, mal remunerados. Disso pelo menos entendia muito bem.
Sentou-se na cama e abriu o pacote da farmácia, enquanto ligava a TV. Canal aberto, algum programa de entrevistas populares. Marido que bateu na mulher que o traiu, filha que maltrata a mãe, um irmão que roubou o outro. Ah o ser humano...
Pegou um copo d´agua, colocou na mesa de cabeceira, tirou os sapatos e as meias e recostou-se no travesseiro. Abriu o vidrinho que tirou do pacote lendo "bromazepan". Brumário? Longe disso, aquilo era uma rendição.
Deve funcionar, pensou. Quantos? 10?20? Tudo né? Não teria porque ser econômico justo agora. Haveria quem chorasse é claro(será?). Haveria também quem dissesse que foi uma fraqueza, covardia. Estava mais preocupado é com a forma como seria recebido do outro lado, caso houvesse um outro lado, é claro. Acreditava que havia, mas vai saber.
Bem, restava torcer para que certas coisas que lera por aí não fossem verdades. Todas as religiões monoteístas que conhecia condenavam veementemente aquilo. Desejou ser um japonês nesse momento, algum kamikaze usando capacete e voando de cabeça rumo ao aço de um grande navio, com toda honra. Riu desse pensamento.
Colocou tudo em uma das mãos e ficou ali admirando aqueles pequenos comprimidos, pareciam até os mini-chicletes que ele comprava na saída do colégio quando era moleque.
Pensou nos diversos hotéis nos quais já estivera, feliz, triste, espairecendo e fugindo da realidade, amando, conhecendo o mundo, derpertando. Agora não haveria despertar. Como desejou um despertar.
Este não era dos piores, mas será que merecia a honra de ser o último? Nem ar-condicionado e TV a cabo tinha! A cama era dura, remendada(já dormira e amara em outras camas remendadas antes, mas isto?), no frigobar só tinha água e a frequencia, a tomar pelo movimento da portaria, parecia saída de um filme de zumbis, se é que podem existir mortos-vivos sexólatras.
Se pelo menos estivesse bebendo um whisky, numas suíte envidraçada com vista para o mar, um Tom Jobim tocando(samba do avião para uma despedida),um bilhete de adeus escrito numa folha destacada do seu moleskine e colocada sob a garrafa do Logan, para que não voasse. Mas água que não sabia nem se era mineral, ao som dos "Bate-bocas Populares" na televisão daquele quartinho abafado de um hotel cheio de putas do lado de fora,que privavelmente ficariam ali me olhando, comentando e especulando razões e apressariam o trabalho da polícia para que pudessem faturar uma graninha ali no cenário da minha despedida final, não. Não era um cenário decente para ninguém dar adeus a este mundo, pelo menos não voluntáriamente.
Um assassinato ali, vá lá, até combina com o lugar(solta uma gargalhada ao pensar nisso e ao mesmo tempo vê uma mancha na parece, seria chocolate?), mas suicídio? Não, não tinha como ser ali. Merecia algo melhor, ainda mais porque se não houvesse nada depois, aquela seria sua última experiência.
Recolheu os comprimidos, colando-os um a um de volta no vidrinho e calçou-se. O que será que está passando de bom no cinema? Pensou.
Saiu dali tão depressa quanto entrou, ganhando a rua em apenas alguns segundos. Respirou fundo aquele ar pesado de final de tarde, inicio de noite.
Seu senso estético e pretenso bom gosto, aliados ao seu horror ao desconforto o haviam salvo daquela vez. Ainda não fora aquela a sua despedida, riu pensando, mas sabe-se lá do que um quarto de frente no Caesar Park e aquele vidrinho no seu bolso não seriam capazes de fazer uma hora destas.
Wednesday, February 27, 2008
O poema vivido
Escovando meus dentes debaixo do chuveiro, penso em um poema que logo me esqueço, levado pela água e espuma que descem pelo ralo,
enquanto te chupo, bem do meio de suas pernas, ele aparece outra vez, voltando à minha mente e logo indo embora, levado pelo som do seu gozo,
deitado ao seu lado, quase refeito, ainda sentindo o suor e o seu cheiro, ele aparece de novo, já um pouco mudado e desta vez é o sono que o leva,
e de manhã acordado, enquanto me arrumo, vejo o poema em minha cama deitado, e o fixo com olhos e mente levando-o comigo, não escrito.
Um poema sem papel, plenamente vivido, sentido, beijado, sorvido, eterna e ternamente comigo.
enquanto te chupo, bem do meio de suas pernas, ele aparece outra vez, voltando à minha mente e logo indo embora, levado pelo som do seu gozo,
deitado ao seu lado, quase refeito, ainda sentindo o suor e o seu cheiro, ele aparece de novo, já um pouco mudado e desta vez é o sono que o leva,
e de manhã acordado, enquanto me arrumo, vejo o poema em minha cama deitado, e o fixo com olhos e mente levando-o comigo, não escrito.
Um poema sem papel, plenamente vivido, sentido, beijado, sorvido, eterna e ternamente comigo.
Tuesday, February 26, 2008
Al(u)to controle
"Eu sei de tudo."
"É mesmo? Queria ter tanta certeza assim."
"Ahh, o que eu não sei eu invento."
"Pois é, queria ter tanta imaginação assim também."
"Deixa de ser bobo, você tem domínio sobre coisas que eu jamais sonharia em ter."
"É? Sobre o que por exemplo?"
"Sobre mim".
"É mesmo? Queria ter tanta certeza assim."
"Ahh, o que eu não sei eu invento."
"Pois é, queria ter tanta imaginação assim também."
"Deixa de ser bobo, você tem domínio sobre coisas que eu jamais sonharia em ter."
"É? Sobre o que por exemplo?"
"Sobre mim".
Amor perfeito?
"Sabia que eu sempre fui apaixonado por você?", "Sério? porque eu acho que nunca te amei.".
Silêncio constrangedor, os dois se olham, se estudam, mais de 10 anos que não se viam.
"Porque isso?", "porque o que?", "porque você nunca me amou..."
Outro silêncio, desta vez impaciente.
"Acho que você era perfeito demais.", "então eu não merecia ser amado por ser bom demais?"
Risos
"Eu não disse bom, eu disse perfeito. Tão perfeito que acabou sendo demais, não conseguiria amar uma imagem"
"mas e se eu não fosse tão perfeito assim?"
"acho que nunca saberei não?"
Risos, desta vez descontraídos.
"Mas então passei a vida te querendo e nunca tive porque sou perfeito?"
"É não, era. Hoje vejo que você é cheio de defeitos, quase como qualquer outro homem que eu já conheci. E é por isso mesmo que eu nunca te amei, mas que agora te quero."
Gargalhadas, risos, sorriso, piscada, olhar, beijo, beijo, beijos.
Sexo e história. Porque o amor nunca é perfeito, redondinho, certinho.
Amor não encaixa, se ajusta ou acontece quando é certo. Senão não é amor.
Silêncio constrangedor, os dois se olham, se estudam, mais de 10 anos que não se viam.
"Porque isso?", "porque o que?", "porque você nunca me amou..."
Outro silêncio, desta vez impaciente.
"Acho que você era perfeito demais.", "então eu não merecia ser amado por ser bom demais?"
Risos
"Eu não disse bom, eu disse perfeito. Tão perfeito que acabou sendo demais, não conseguiria amar uma imagem"
"mas e se eu não fosse tão perfeito assim?"
"acho que nunca saberei não?"
Risos, desta vez descontraídos.
"Mas então passei a vida te querendo e nunca tive porque sou perfeito?"
"É não, era. Hoje vejo que você é cheio de defeitos, quase como qualquer outro homem que eu já conheci. E é por isso mesmo que eu nunca te amei, mas que agora te quero."
Gargalhadas, risos, sorriso, piscada, olhar, beijo, beijo, beijos.
Sexo e história. Porque o amor nunca é perfeito, redondinho, certinho.
Amor não encaixa, se ajusta ou acontece quando é certo. Senão não é amor.
Saturday, November 17, 2007
Sob a chuva
Sob a chuva não entendo
suas palavras que me
molham
sob a chuva não entendo
que você se vá,
se escorra
sob a chuva não me entendo
ainda que a cada minuto que passa
eu morra
sob a chuva nada me protege
dos pensamentos
que me inundam.
suas palavras que me
molham
sob a chuva não entendo
que você se vá,
se escorra
sob a chuva não me entendo
ainda que a cada minuto que passa
eu morra
sob a chuva nada me protege
dos pensamentos
que me inundam.
Friday, November 09, 2007
Diapositivo
Não quero mais saber de promessas
e esperas,
esperanças
ou ilusões,
não quero mais dormir na janela,
procurando por ela
em meio às multidões,
não quero ver o mundo girar,
e sentado esperar
novos (bons e maus)
acidentes
por vir,
não quero esta tela de cinema,
de autores,
atores,
tantos temas,
que não são nada para mim,
eu quero é a vida agora,
toda ela, sem demora
para vive-la, e não ve-la, até o fim.
e esperas,
esperanças
ou ilusões,
não quero mais dormir na janela,
procurando por ela
em meio às multidões,
não quero ver o mundo girar,
e sentado esperar
novos (bons e maus)
acidentes
por vir,
não quero esta tela de cinema,
de autores,
atores,
tantos temas,
que não são nada para mim,
eu quero é a vida agora,
toda ela, sem demora
para vive-la, e não ve-la, até o fim.
Monday, November 05, 2007
Melhor sentir e ser
Ver e não somente olhar,
tocar, tatear,
não temer o sofrer.
Porque a dor leva a
viver
a felicidade
que sempre está por vir.
Se o pensamento nos protege, não pense.
Deseje sentir,
nunca deixe de sentir.
O que é racional, não é sentimento,
é pensamento.
E nem sempre é real,
sofra e goze a dor de ser
jamais a de, por pensamento,
apenas sobreviver
e partir
sem existir.
tocar, tatear,
não temer o sofrer.
Porque a dor leva a
viver
a felicidade
que sempre está por vir.
Se o pensamento nos protege, não pense.
Deseje sentir,
nunca deixe de sentir.
O que é racional, não é sentimento,
é pensamento.
E nem sempre é real,
sofra e goze a dor de ser
jamais a de, por pensamento,
apenas sobreviver
e partir
sem existir.
Saturday, November 03, 2007
Perfeição
Tenho um coração maior que o mundo
e nosso amor nele é tudo
total, inesquecível,
eloquente, mudo,
bonito, bruto,
perfeito
lugar
no mundo.
e nosso amor nele é tudo
total, inesquecível,
eloquente, mudo,
bonito, bruto,
perfeito
lugar
no mundo.
Friday, October 26, 2007
Quase nada
E assim percebi
que sou
aquilo que me dá,
e finalmente
entendi aonde estou
no lugar que posso estar,
e vi que este nosso todo
tão precioso todo,
é uma rua esburacada
a razão de me sentir assim
todo tempo, o tempo todo
sendo quase
um
quase
na
da.
que sou
aquilo que me dá,
e finalmente
entendi aonde estou
no lugar que posso estar,
e vi que este nosso todo
tão precioso todo,
é uma rua esburacada
a razão de me sentir assim
todo tempo, o tempo todo
sendo quase
um
quase
na
da.
Wednesday, October 03, 2007
Porteña
Cheiros, fumaça,
gente caminhando apressada
e uma noite
que
cai
bela como eu nunca vi,
Ruas largas, passos lentos,
luzes me incendeiam
absorvo o que vejo,
e jamais me esqueci,
Piso um chão etéreo,
imaginário
prédios de elementos vários,
Ruas feitas de pessoas,
praças de emoção
é a mais linda,
a mais guapa
Aonde até a solidão
anda bem acompanhada.
gente caminhando apressada
e uma noite
que
cai
bela como eu nunca vi,
Ruas largas, passos lentos,
luzes me incendeiam
absorvo o que vejo,
e jamais me esqueci,
Piso um chão etéreo,
imaginário
prédios de elementos vários,
Ruas feitas de pessoas,
praças de emoção
é a mais linda,
a mais guapa
Aonde até a solidão
anda bem acompanhada.
Sunday, March 25, 2007
Lágrimas
Eu tenho medo desse choro silencioso,
dessas lagrimas que brotam dos olhos sem querer
e simplesmente jorram,
jorram,
jorram.
O tempo todo,
por nada em especial
e por tudo no final.
dessas lagrimas que brotam dos olhos sem querer
e simplesmente jorram,
jorram,
jorram.
O tempo todo,
por nada em especial
e por tudo no final.
Thursday, March 15, 2007
Ponte
Como uma ponte
sobre um imenso vazio
três palavras nos unem,
esta frágil ponte que balança
e sacode nossas vidas,
mas ainda assim
"eu te amo".
sobre um imenso vazio
três palavras nos unem,
esta frágil ponte que balança
e sacode nossas vidas,
mas ainda assim
"eu te amo".
Isabel
E como por encanto o mundo encolheu,
meu futuro mudou,
todo canto emudeceu,
tudo era reverência,
referência
à sua doce presença,
Isabel.
Seus olhos verdes não me hipnotizaram,
na verdade,
eles me conquistaram,
consciente, presente, totalmente,
passei a ser seu,
Isabel.
E tudo que me trazia medo,
de repente,
assim mesmo, de repente,
passou a não ser mais nada.
Com você desejei meus filhos ainda não nascidos,
meu futuro não vivido,
a eternidade de um suspiro
seu,
Isabel.
Sonhei diferente,
virei de trás para frente,
ri de minhas dores
redimensionei velhos amores
perante a majestade do seu,
Isabel.
Por isso repito seu nome
desse jeito,
você, meu mantra,
meu mundo perfeito
minha terra, meu fogo, meu ar, meu mar,
e eternamente te ter,
e poder para sempre te amar,
Isabel.
meu futuro mudou,
todo canto emudeceu,
tudo era reverência,
referência
à sua doce presença,
Isabel.
Seus olhos verdes não me hipnotizaram,
na verdade,
eles me conquistaram,
consciente, presente, totalmente,
passei a ser seu,
Isabel.
E tudo que me trazia medo,
de repente,
assim mesmo, de repente,
passou a não ser mais nada.
Com você desejei meus filhos ainda não nascidos,
meu futuro não vivido,
a eternidade de um suspiro
seu,
Isabel.
Sonhei diferente,
virei de trás para frente,
ri de minhas dores
redimensionei velhos amores
perante a majestade do seu,
Isabel.
Por isso repito seu nome
desse jeito,
você, meu mantra,
meu mundo perfeito
minha terra, meu fogo, meu ar, meu mar,
e eternamente te ter,
e poder para sempre te amar,
Isabel.
Saturday, December 23, 2006
Conta gotas
Dizem que temos um grande amor apenas,
longo, verdadeiro, dolorido
se for assim só amei de mentira
ou verdadeiramente
e diluído.
longo, verdadeiro, dolorido
se for assim só amei de mentira
ou verdadeiramente
e diluído.
A gata
Você mia e eu tremo,
me toca e eu arrepio
me domina sua presença
seus lábios, seu riso
o mundo treme, na minha frente
ao te ver passar
meu passado, presente, futuro
conjugação perfeita
do verbo amar.
me toca e eu arrepio
me domina sua presença
seus lábios, seu riso
o mundo treme, na minha frente
ao te ver passar
meu passado, presente, futuro
conjugação perfeita
do verbo amar.
Friday, December 22, 2006
O amor maior
No universo que é a minha vida
tive amores do tamanho de cidades
alguns outros de países
mas somente o seu foi meu planeta.
tive amores do tamanho de cidades
alguns outros de países
mas somente o seu foi meu planeta.
Foto e Pintura
Porque não esqueço o seu jeito?
Seu cheiro, suas coisas,
porque a vida parece perdida depois de você?
Sem graça, só o tempo que passa
meu mundo era uma fotografia
sem você, virou pintura impressionista,
não sei aonde ir ou o que fazer
porque aonde quer que eu exista
por mais que eu insista
na minha cabeça
só existe você.
(original de maio de 2001)
Seu cheiro, suas coisas,
porque a vida parece perdida depois de você?
Sem graça, só o tempo que passa
meu mundo era uma fotografia
sem você, virou pintura impressionista,
não sei aonde ir ou o que fazer
porque aonde quer que eu exista
por mais que eu insista
na minha cabeça
só existe você.
(original de maio de 2001)
Monday, December 11, 2006
Você
E você que mostrou que dentre todos no mundo alguém pode ser diferente,
que me olhou e me acalmou com seus olhos verdes,
me fez querer morar no seu beijo,
melhorar para merecer o seu beijo,
e ser céu
e ir além
para ser seu
e te ter,
anjo em forma de menina, mulher
morando em mim também.
que me olhou e me acalmou com seus olhos verdes,
me fez querer morar no seu beijo,
melhorar para merecer o seu beijo,
e ser céu
e ir além
para ser seu
e te ter,
anjo em forma de menina, mulher
morando em mim também.
Thursday, December 07, 2006
O Coração
Empurra o líquido vermelho,
transportando paixão aos borbotões
leva sangue, leva plasma, leva vida
e te leva para todos meus rincões.
transportando paixão aos borbotões
leva sangue, leva plasma, leva vida
e te leva para todos meus rincões.
Sunday, December 03, 2006
Vento
O vento
que corre ligeiro
trazendo seu cheiro
fazendo carinho em meu rosto,
é como se fosse um beijo
ou um abraço
talvez apenas um traço
da sua presença que agora não tenho.
que corre ligeiro
trazendo seu cheiro
fazendo carinho em meu rosto,
é como se fosse um beijo
ou um abraço
talvez apenas um traço
da sua presença que agora não tenho.
Saturday, November 25, 2006
Leonina
É uma gatinha
uma menina
que brinca e
acaricia,
vira leoa
indomável
mulher
que te pega
e faz de gato
e sapato.
Suas garras afiadas
são presas de vampiro
uma vez que te arranham
ela está para sempre contigo,
ela é guerra, ela é paz
é mulher, é amiga.
É fera, que te doma
é uma deusa na cama,
Entra na sua vida e se espalha,
se aninha, se instala
torça para que jamais saia,
porque ainda por cima
essa felina é inesquecível.
uma menina
que brinca e
acaricia,
vira leoa
indomável
mulher
que te pega
e faz de gato
e sapato.
Suas garras afiadas
são presas de vampiro
uma vez que te arranham
ela está para sempre contigo,
ela é guerra, ela é paz
é mulher, é amiga.
É fera, que te doma
é uma deusa na cama,
Entra na sua vida e se espalha,
se aninha, se instala
torça para que jamais saia,
porque ainda por cima
essa felina é inesquecível.
Escorpiana
Tuesday, November 21, 2006
Esqueceu
Pensando tanto
ponderava,
chegava a cansar
de tanto que pesava.
Um dia acordou
num pulo
e o derradeiro pensamento o assaltou:
esquecera de viver.
ponderava,
chegava a cansar
de tanto que pesava.
Um dia acordou
num pulo
e o derradeiro pensamento o assaltou:
esquecera de viver.
Wednesday, November 15, 2006
Monday, November 13, 2006
Beijo
Sunday, November 12, 2006
Saturday, November 11, 2006
Sol do Inverno
E no inverno
me perco
me alegro
me encontro.
As folhas caídas
o céu de chumbo
a água que corre
entre as pedras.
O Rio é verão
mas ele é meu
no inverno,
meu planeta.
E você
tão linda,
tão branca
e dourada
é um pedaço de sol
no meio
do mundo
só o seu calor
e não quero mais nada.
me perco
me alegro
me encontro.
As folhas caídas
o céu de chumbo
a água que corre
entre as pedras.
O Rio é verão
mas ele é meu
no inverno,
meu planeta.
E você
tão linda,
tão branca
e dourada
é um pedaço de sol
no meio
do mundo
só o seu calor
e não quero mais nada.
Muros e Pontes
Amores se constróem com beijos
paixões
com carícias.
Relações se sustentam com pontes
nunca
com muros.
Beijos e carícias
cimento e pólvora
eu e você
agora.
paixões
com carícias.
Relações se sustentam com pontes
nunca
com muros.
Beijos e carícias
cimento e pólvora
eu e você
agora.
Tecnódromo
O claro-escuro
sibilante
ambiente
Tuntz tuntz
paredes
sofás
chão
quente
Tuntz tuntz
fumaça
luz
bala-doce
gente
Tuntz tuntz
noite
profunda
amor-sexo
evidente
Tuntz tuntz
chegam
hora após hora e
a madrugada
se ressente
Tuntz tuntz
a manhã
acende a luz
e tudo acaba
de repente.
Silêncio.
sibilante
ambiente
Tuntz tuntz
paredes
sofás
chão
quente
Tuntz tuntz
fumaça
luz
bala-doce
gente
Tuntz tuntz
noite
profunda
amor-sexo
evidente
Tuntz tuntz
chegam
hora após hora e
a madrugada
se ressente
Tuntz tuntz
a manhã
acende a luz
e tudo acaba
de repente.
Silêncio.
Friday, November 03, 2006
Desejo e Realidade
Tudo que se quer
e se tem
deixa de ser desejo
e vira
realidade.
Tudo que se quer
e se tem
só sobrevive
ao amor
de verdade.
e se tem
deixa de ser desejo
e vira
realidade.
Tudo que se quer
e se tem
só sobrevive
ao amor
de verdade.
Sunday, October 29, 2006
A Manga
Estava ali parado,
faca na mão
sonhos retalhados
pronto para execução
viu o brilho
da lamina,
não da vida
sentiu o cheiro
doce
de suas feridas
uma estranha certeza lhe tomou
o golpe foi tão rápido que
nem sentiu dor
e descascou
a fruta suculenta
comendo
aquela manga
sem pudor.
faca na mão
sonhos retalhados
pronto para execução
viu o brilho
da lamina,
não da vida
sentiu o cheiro
doce
de suas feridas
uma estranha certeza lhe tomou
o golpe foi tão rápido que
nem sentiu dor
e descascou
a fruta suculenta
comendo
aquela manga
sem pudor.
Obsessão
Sinto inveja
das palavras que lê
e merecem seu
olhar
da água que
te banha
do vento que
te toca
do sol
que te bronzeia
dos lençóis
aonde deita
e até da minha boca
que te beija.
das palavras que lê
e merecem seu
olhar
da água que
te banha
do vento que
te toca
do sol
que te bronzeia
dos lençóis
aonde deita
e até da minha boca
que te beija.
Ana e Nina
Ana é beleza que machuca,
Nina é ternura que afaga.
Ana é sonho, altitude,
Nina, aconchego,
minha casa.
Ana é aquela que eu sonho,
Nina é aquela que acordo.
Ana é a força de uma onda,
Nina é aquela
em quem transbordo.
Ana tem cabelos muito negros,
os de Nina, são loiros como
o sol.
Ana canta em notas muito altas,
Nina é sinfonia
em mi bemol.
Ana tem os olhos de uma gata,
negros que refletem a escuridão,
Nina tem os olhos cor de céu
que quando chovem
partem o meu coração.
Ana nunca vai me fazer mal,
sabe o que eu quero,
sua hora
e o local.
Nina, tem problemas de mulher,
me ama muito e
muito terno
quando quer.
Ana simboliza o meu sucesso,
com Nina,
eu temo o meu fracasso,
Ana nunca se decepciona,
Nina se irrita com o que eu faço.
Ana é a qualidade de Nina,
Nina
todos os defeitos de Ana,
Juntas formam a mulher-menina
linda
quando fala que me ama.
Ana é a eterna namorada,
que ando junto
de mãos dadas pela tarde,
Nina é o meu eterno amor
e das duas
só ela
é de verdade.
Nina é ternura que afaga.
Ana é sonho, altitude,
Nina, aconchego,
minha casa.
Ana é aquela que eu sonho,
Nina é aquela que acordo.
Ana é a força de uma onda,
Nina é aquela
em quem transbordo.
Ana tem cabelos muito negros,
os de Nina, são loiros como
o sol.
Ana canta em notas muito altas,
Nina é sinfonia
em mi bemol.
Ana tem os olhos de uma gata,
negros que refletem a escuridão,
Nina tem os olhos cor de céu
que quando chovem
partem o meu coração.
Ana nunca vai me fazer mal,
sabe o que eu quero,
sua hora
e o local.
Nina, tem problemas de mulher,
me ama muito e
muito terno
quando quer.
Ana simboliza o meu sucesso,
com Nina,
eu temo o meu fracasso,
Ana nunca se decepciona,
Nina se irrita com o que eu faço.
Ana é a qualidade de Nina,
Nina
todos os defeitos de Ana,
Juntas formam a mulher-menina
linda
quando fala que me ama.
Ana é a eterna namorada,
que ando junto
de mãos dadas pela tarde,
Nina é o meu eterno amor
e das duas
só ela
é de verdade.
Saturday, October 28, 2006
O Futuro(corte rapido de um pedaço da vida)
E naquele momento seu mundo desabou. Todas as certezas pareciam não existir. Aquela constatação caíra sobre ele quase sem querer, no mesmo ritmo daquela tarde quente que tanto detesta e dava seu lugar para a noite, sua íntima companheira.
Estivera durante anos e anos tão certo de tudo, que se dava até ao luxo de desprezar um pouquinho aquela sua verdade. Arranjava problemas à toa, tinha flertes estéreis, ia ao futebol mais do que deveria e às vezes até exagerava na cerveja, mas dentre aqueles porres homéricos, do meio de todo aquele torpor e transe etílico, ele sempre emergia com a certeza: quando tudo terminasse, ele voltaria para ela e toda aquela calma viveria guardada para sempre na sua forma feminina que era tão agradável.
Não sabia ao certo nem se aquilo tudo era amor. Se era amizade, pena, carinho ou se era tudo junto. Ela ali tão frágil, aninhando-se em seu abraço e ele às vezes com a cabeça à mil. Sua presença para ela fazia-se protetora e com o tempo ele passou a gostar disso. Tinha aquela na conta da primeira das mulheres, bonita, sua garota preferida.
Seus olhos a fitavam e encontravam nos dela o olhar de seus filhos ainda não-nascidos. Seu coração ritmava-se no compasso do dela e o que ele podia ouvir então era o som do seu futuro. De todas as poucas certezas que podia ter naquela sua vida tão louca, uma delas era a de que ali estava sua mulher, sua garota, aquela que envelheceria ao seu lado e que o veria desaparecer entre rugas e cabelos brancos.
Mas um dia tudo mudou. Aquele olhar terno passou a fita-lo como o de qualquer outra, olhando para qualquer outro. Não sabe ao certo porque, mas com certeza a sua própria maneira egoísta, auto-centrada, fria e pragmática tão característica daqueles que recusam-se a sonhar pelo medo de acordar tenham sido os causadores de tudo. O fato é que aquele "nós" que para ele traduzia-se em outras três letras, "lar", não estava mais ali.
E a vida passou rapidamente pela sua cabeça. Sua infância, todos os amores que teve, suas desilusões, seus sonhos partidos, suas perdas de entes queridos e naquele momento ele sentiu a maior de todas as dores que é a dor do desaparecimento de um amor.
Dizem que esse retrospecto rápido, doce-amargo, só acontece quando estamos para morrer. Se é isso então, porque ele o visualizou naquela hora? Pensou, pensou, pensou e concluiu que já não tinha mais o seu lar, seus filhos, sua casa, toda aquela realidade semi-palpável que guardamos para o futuro que é incerto.
Ao tornar-se igual a qualquer outra no mundo, a sua menina tinha matado algo tão ou mais precioso até do que a própria vida: o futuro. Restava agora apenas respirar e tentar viver sem ele.
Estivera durante anos e anos tão certo de tudo, que se dava até ao luxo de desprezar um pouquinho aquela sua verdade. Arranjava problemas à toa, tinha flertes estéreis, ia ao futebol mais do que deveria e às vezes até exagerava na cerveja, mas dentre aqueles porres homéricos, do meio de todo aquele torpor e transe etílico, ele sempre emergia com a certeza: quando tudo terminasse, ele voltaria para ela e toda aquela calma viveria guardada para sempre na sua forma feminina que era tão agradável.
Não sabia ao certo nem se aquilo tudo era amor. Se era amizade, pena, carinho ou se era tudo junto. Ela ali tão frágil, aninhando-se em seu abraço e ele às vezes com a cabeça à mil. Sua presença para ela fazia-se protetora e com o tempo ele passou a gostar disso. Tinha aquela na conta da primeira das mulheres, bonita, sua garota preferida.
Seus olhos a fitavam e encontravam nos dela o olhar de seus filhos ainda não-nascidos. Seu coração ritmava-se no compasso do dela e o que ele podia ouvir então era o som do seu futuro. De todas as poucas certezas que podia ter naquela sua vida tão louca, uma delas era a de que ali estava sua mulher, sua garota, aquela que envelheceria ao seu lado e que o veria desaparecer entre rugas e cabelos brancos.
Mas um dia tudo mudou. Aquele olhar terno passou a fita-lo como o de qualquer outra, olhando para qualquer outro. Não sabe ao certo porque, mas com certeza a sua própria maneira egoísta, auto-centrada, fria e pragmática tão característica daqueles que recusam-se a sonhar pelo medo de acordar tenham sido os causadores de tudo. O fato é que aquele "nós" que para ele traduzia-se em outras três letras, "lar", não estava mais ali.
E a vida passou rapidamente pela sua cabeça. Sua infância, todos os amores que teve, suas desilusões, seus sonhos partidos, suas perdas de entes queridos e naquele momento ele sentiu a maior de todas as dores que é a dor do desaparecimento de um amor.
Dizem que esse retrospecto rápido, doce-amargo, só acontece quando estamos para morrer. Se é isso então, porque ele o visualizou naquela hora? Pensou, pensou, pensou e concluiu que já não tinha mais o seu lar, seus filhos, sua casa, toda aquela realidade semi-palpável que guardamos para o futuro que é incerto.
Ao tornar-se igual a qualquer outra no mundo, a sua menina tinha matado algo tão ou mais precioso até do que a própria vida: o futuro. Restava agora apenas respirar e tentar viver sem ele.
Friday, October 27, 2006
Eu e você(I)
Eu te beijo,
você sai,
eu te quero,
você esvai,
eu te amo,
você pouco
liga
quando eu mais preciso.
Você é linda,
eu sou só eu.
Você é cheia de amigos,
eu só tenho eu.
Você é vida,
eu só tento viver.
Você é espelho,
eu sou reflexo,
Você é emoção,
eu sou nexo
até no sexo.
Você é tudo,
mas eu te amei.
De verdade,
profundo,
doído,
sentido
e você?
É por isso que eu não quero mais.
Você me supera em tudo,
menos no amar.
você sai,
eu te quero,
você esvai,
eu te amo,
você pouco
liga
quando eu mais preciso.
Você é linda,
eu sou só eu.
Você é cheia de amigos,
eu só tenho eu.
Você é vida,
eu só tento viver.
Você é espelho,
eu sou reflexo,
Você é emoção,
eu sou nexo
até no sexo.
Você é tudo,
mas eu te amei.
De verdade,
profundo,
doído,
sentido
e você?
É por isso que eu não quero mais.
Você me supera em tudo,
menos no amar.
Thursday, October 26, 2006
Não sei mas quero saber
Não sei,
mas quero saber.
Não conheço,
mas quero conhecer
sobre você
que paira
e baila
desconhecida e intrigante
na minha frente
na minha mente
e some num instante
mistério
que me faz sofrer
e desejar
e querer
conhecer e explorar,
desbravar
o infinito,
todo
finito
inteiro
inteira
tudo
em você.
mas quero saber.
Não conheço,
mas quero conhecer
sobre você
que paira
e baila
desconhecida e intrigante
na minha frente
na minha mente
e some num instante
mistério
que me faz sofrer
e desejar
e querer
conhecer e explorar,
desbravar
o infinito,
todo
finito
inteiro
inteira
tudo
em você.
Metrópole
Cheia,
indivisível
divisão.
Engarrafamento,
gente
poluição.
Noite,
beijo,
sexo,
saudade,
desejo,
amizade
amor,
desilusão.
Multidão,
contraditória
solidão.
indivisível
divisão.
Engarrafamento,
gente
poluição.
Noite,
beijo,
sexo,
saudade,
desejo,
amizade
amor,
desilusão.
Multidão,
contraditória
solidão.
Wednesday, October 25, 2006
O "ex-poeta"
E tomou-se de amor
por suas palavras.
Lia e relia
suas obras completas,
passou a sentir ciúme
e uma certa fidelidade,
não sabia se eram dele
ou se ele é que era delas.
Outros autores parou de ler,
com medo de
sem perceber,
palavras estranhas
entrarem em sua mente.
Assim parou de escrever,
só decorava
pra não esquecer
pensaram que ficou demente.
Tentou virar pintor,
já que ninguém roubaria
palavras presas na tela,
também padeceu de dor
e para não trair suas palavras
rompeu seu caso com ela.
Não escrevia nem escondido,
não quis mais saber de livro
seu brilho foi apagando,
E o apego por suas palavras,
retirou sua razão e
aos poucos o ia cegando.
Acordou um certo dia,
como de transe profundo,
e viu-se sem suas palavras,
sem ninguém,
sozinho no mundo.
Elas tinham ido embora,
voaram para bem longe
no tempo e na hora certa,
palavras não pertencem à gaiola,
são passaros
como poemas e
não moram com ex-poetas.
por suas palavras.
Lia e relia
suas obras completas,
passou a sentir ciúme
e uma certa fidelidade,
não sabia se eram dele
ou se ele é que era delas.
Outros autores parou de ler,
com medo de
sem perceber,
palavras estranhas
entrarem em sua mente.
Assim parou de escrever,
só decorava
pra não esquecer
pensaram que ficou demente.
Tentou virar pintor,
já que ninguém roubaria
palavras presas na tela,
também padeceu de dor
e para não trair suas palavras
rompeu seu caso com ela.
Não escrevia nem escondido,
não quis mais saber de livro
seu brilho foi apagando,
E o apego por suas palavras,
retirou sua razão e
aos poucos o ia cegando.
Acordou um certo dia,
como de transe profundo,
e viu-se sem suas palavras,
sem ninguém,
sozinho no mundo.
Elas tinham ido embora,
voaram para bem longe
no tempo e na hora certa,
palavras não pertencem à gaiola,
são passaros
como poemas e
não moram com ex-poetas.
Viver(?)
Um cigarro,
uma bebida forte
ou qualquer outra anestesia
para a dor inexorável
de ser.
Dia após dia,
à visão que se tem
do que se é,
sobreviver.
Arrastar as horas
até mais uma sexta-feira
e rir
e amar,
somente para esquecer.
Respirar
e contrair
seu eu
para no mundo
encontrar o seu lugar
de viver.
Será que isso é tudo?
Temos apenas uma vida
para resolver.
uma bebida forte
ou qualquer outra anestesia
para a dor inexorável
de ser.
Dia após dia,
à visão que se tem
do que se é,
sobreviver.
Arrastar as horas
até mais uma sexta-feira
e rir
e amar,
somente para esquecer.
Respirar
e contrair
seu eu
para no mundo
encontrar o seu lugar
de viver.
Será que isso é tudo?
Temos apenas uma vida
para resolver.
Tuesday, October 24, 2006
É apenas um gato!
De repente o mundo inteiro não importa,
ela esquece da vida, da mesa, da torta,
nem liga pra minha presença,
fala, fala,
me deixa louco.
De repente não existem mais problemas,
não existe mais ciúme,
nem o medo do desamor.
Num segundo,
o mundo não está se aquecendo,
ninguém passa fome,
não tem jornal na TV.
Nem eu,
nem as estações,
nem mesmo as liquidações!
Agora só o que importa são
as unhas destruindo o sofá,
isso tem que parar!
Isso tem que parar!
Nossa, meu amor,
deixa isso pra lá...
É apenas um gato!
Vamos nos amar?
ela esquece da vida, da mesa, da torta,
nem liga pra minha presença,
fala, fala,
me deixa louco.
De repente não existem mais problemas,
não existe mais ciúme,
nem o medo do desamor.
Num segundo,
o mundo não está se aquecendo,
ninguém passa fome,
não tem jornal na TV.
Nem eu,
nem as estações,
nem mesmo as liquidações!
Agora só o que importa são
as unhas destruindo o sofá,
isso tem que parar!
Isso tem que parar!
Nossa, meu amor,
deixa isso pra lá...
É apenas um gato!
Vamos nos amar?
Monday, October 23, 2006
Vaidade e Razão
Gente complicada,
sociedade arriscada,
amizade desconfiada,
gosto duvidoso.
Caso quase perdido,
amor cego
iludido,
de alto custo,
trabalhoso.
A vaidade diz:
tenta.
A razão diz:
não inventa!
sociedade arriscada,
amizade desconfiada,
gosto duvidoso.
Caso quase perdido,
amor cego
iludido,
de alto custo,
trabalhoso.
A vaidade diz:
tenta.
A razão diz:
não inventa!
Nossa pequena religião
Digo ao mundo que estou bem.
Vivi, amei, sofri,
fui feliz,
chorei também.
Senti amores impossíveis,
tive amizades risíveis
e outras que foram além.
Digo assim
à minha maneira,
que de todas,
você não foi a primeira,
nem a que causou mais dor.
Fique certa, jamais esqueço
o tanto que conheci
e o tamanho do amor.
Fiz dele um santuário,
com pia, altar,
sudário
fiz promessa
rezei também,
pois nosso amor sagrado,
belo, santificado,
ia longe,
era bem.
Mas você resolveu parar,
não quis mais saber de
rezar,
pelo credo deste amor,
Fez velório antecipado,
enterro pra lá de apressado,
luto em rito sumário,
nem deu tempo de carpir,
me deixou assim perdido,
um sacerdote sem ídolo,
sem ter nem para onde ir.
E o lugar dessa paixão,
o santuário,
meu coração
com um vazio no altar,
Não sabe se faz outro culto
reza nova, novo tudo
ou se espera você voltar.
Vivi, amei, sofri,
fui feliz,
chorei também.
Senti amores impossíveis,
tive amizades risíveis
e outras que foram além.
Digo assim
à minha maneira,
que de todas,
você não foi a primeira,
nem a que causou mais dor.
Fique certa, jamais esqueço
o tanto que conheci
e o tamanho do amor.
Fiz dele um santuário,
com pia, altar,
sudário
fiz promessa
rezei também,
pois nosso amor sagrado,
belo, santificado,
ia longe,
era bem.
Mas você resolveu parar,
não quis mais saber de
rezar,
pelo credo deste amor,
Fez velório antecipado,
enterro pra lá de apressado,
luto em rito sumário,
nem deu tempo de carpir,
me deixou assim perdido,
um sacerdote sem ídolo,
sem ter nem para onde ir.
E o lugar dessa paixão,
o santuário,
meu coração
com um vazio no altar,
Não sabe se faz outro culto
reza nova, novo tudo
ou se espera você voltar.
Sunday, October 22, 2006
Aquele grande amor
E aquele grande amor
era um barraco.
Sem telha, nem trapo
quase sem verdade
ou proteção.
Aquele para sempre
era um caco,
de verdadeiro
nem um traço
só rancor e solidão.
Quantos iguais
no mundo
talvez poucos, talvez muitos,
mas o triste é saber,
Que convivemos
com uma pessoa,
seja a vida
ruim ou boa,
sem no entanto a conhecer.
era um barraco.
Sem telha, nem trapo
quase sem verdade
ou proteção.
Aquele para sempre
era um caco,
de verdadeiro
nem um traço
só rancor e solidão.
Quantos iguais
no mundo
talvez poucos, talvez muitos,
mas o triste é saber,
Que convivemos
com uma pessoa,
seja a vida
ruim ou boa,
sem no entanto a conhecer.
Prosa e Poesia
Tenho um caso com a poesia,
com a prosa é só amizade,
morro de amores por uma,
da outra,
invejo a intimidade.
Se eu pudesse andaria
com as duas na cidade,
Uma namorada e uma amante,
quanta felicidade!
com a prosa é só amizade,
morro de amores por uma,
da outra,
invejo a intimidade.
Se eu pudesse andaria
com as duas na cidade,
Uma namorada e uma amante,
quanta felicidade!
Sou eu, sou eu, sou eu
Eu sou eu,
sou eu,
sou eu.
Com tanto de mim,
como me aguentar assim?
Seria o espelho uma janela?
Ou seria o olhar?
E como ver minha janela,
sem reflexo a ajudar?
Se então o que vejo
causa orgulho
ou pavor,
é mais pelo que vem de dentro
pensamento,
causa-
dor.
Eu sou eu,
sou eu,
sou eu.
Sem se amar,
como provocar amor?
sou eu,
sou eu.
Com tanto de mim,
como me aguentar assim?
Seria o espelho uma janela?
Ou seria o olhar?
E como ver minha janela,
sem reflexo a ajudar?
Se então o que vejo
causa orgulho
ou pavor,
é mais pelo que vem de dentro
pensamento,
causa-
dor.
Eu sou eu,
sou eu,
sou eu.
Sem se amar,
como provocar amor?
Televisão
Deitado observando
tenho o mundo
em minha mão.
Vou passando,
vão passando,
tempo, sonhos,
ilusão.
Se eu não posso ir ali,
assim vejo
como é.
Se eu não posso
ter a vida
vou fingindo que ela é,
um programa,
um clip,
um show,
talvez ópera
ou novela,
sinto cores,
vejo cheiros,
vozes,
cantos
pela tela.
Percebendo,
sem querer
que se a vida é ilusão,
melhor(pior?) vive-la
com um controle
na mão.
tenho o mundo
em minha mão.
Vou passando,
vão passando,
tempo, sonhos,
ilusão.
Se eu não posso ir ali,
assim vejo
como é.
Se eu não posso
ter a vida
vou fingindo que ela é,
um programa,
um clip,
um show,
talvez ópera
ou novela,
sinto cores,
vejo cheiros,
vozes,
cantos
pela tela.
Percebendo,
sem querer
que se a vida é ilusão,
melhor(pior?) vive-la
com um controle
na mão.
Saturday, October 21, 2006
À noite no bar
São vozes
e copos
fumaça
amizades.
É gente
falando
querendo
amando.
Procura
tristeza
beleza
e solidão,
pensamento
liberdade
desejo
criação.
Whisky,
cerveja,
conversa na mesa.
São vozes
e almas
e dores
certezas.
Do que fogem?
Do que falam?
Para onde irão?
De que casa,
e que rua,
e que bairro
eles são?
É vida,
sem medida
bebida,
vivida.
Interrompida,
entre um pedido
e os 10%
do garçom.
e copos
fumaça
amizades.
É gente
falando
querendo
amando.
Procura
tristeza
beleza
e solidão,
pensamento
liberdade
desejo
criação.
Whisky,
cerveja,
conversa na mesa.
São vozes
e almas
e dores
certezas.
Do que fogem?
Do que falam?
Para onde irão?
De que casa,
e que rua,
e que bairro
eles são?
É vida,
sem medida
bebida,
vivida.
Interrompida,
entre um pedido
e os 10%
do garçom.
Friday, October 20, 2006
O meu caminho
No final daquela reta
um cruzamento e duas curvas,
uma me levaria pra você
e a outra pro meio da rua.
Resolvi dar meia volta,
nessa minha vida torta.
Passei por praças de infância,
inocência, flores mortas.
Acelerei o carro,
cheguei logo num desvio,
era a minha juventude,
o mesmo desvario.
Jovens fugiam da escola,entravam em cafés e bares,
beijavam-se loucamente
e o mundo que vá pelos ares!
Foi quando me dei conta,
achei filas de emprego,
gente velha, gente nova,
pagando pelo desapego.
Contornando com cuidado
indo manso, devagar,
cheguei em frente a um jardim
com crianças a brincar.
Junto delas um casal,
apaixonado,
dizendo assim
"eu te amo e eu te quero
para sempre perto de mim".
Já estava anoitecendo
e foi quando olhei pelo espelho,
via luzes, via cores
via o mundo
em tons vermelhos.
Parei em frente a um sinal,
e num golpe desconexo,
pelo espelho da vitrine
pude ver o meu reflexo.
Estava ali aonde estive
todo tempo a pensar,
diante do cruzamento
que me recusava a avançar.
Quanto tempo ali parado
eu não pude perceber,
mas entendi bem o recado
eu pertenço a você.
Virei pela sua curva
avançando sem pensar,
porque nasci para viver a vida
e a minha vida é te amar.
um cruzamento e duas curvas,
uma me levaria pra você
e a outra pro meio da rua.
Resolvi dar meia volta,
nessa minha vida torta.
Passei por praças de infância,
inocência, flores mortas.
Acelerei o carro,
cheguei logo num desvio,
era a minha juventude,
o mesmo desvario.
Jovens fugiam da escola,entravam em cafés e bares,
beijavam-se loucamente
e o mundo que vá pelos ares!
Foi quando me dei conta,
achei filas de emprego,
gente velha, gente nova,
pagando pelo desapego.
Contornando com cuidado
indo manso, devagar,
cheguei em frente a um jardim
com crianças a brincar.
Junto delas um casal,
apaixonado,
dizendo assim
"eu te amo e eu te quero
para sempre perto de mim".
Já estava anoitecendo
e foi quando olhei pelo espelho,
via luzes, via cores
via o mundo
em tons vermelhos.
Parei em frente a um sinal,
e num golpe desconexo,
pelo espelho da vitrine
pude ver o meu reflexo.
Estava ali aonde estive
todo tempo a pensar,
diante do cruzamento
que me recusava a avançar.
Quanto tempo ali parado
eu não pude perceber,
mas entendi bem o recado
eu pertenço a você.
Virei pela sua curva
avançando sem pensar,
porque nasci para viver a vida
e a minha vida é te amar.
Thursday, October 19, 2006
Predileta
Palavra bela
suave, sonora,
sinuosa,
vela.
Musica,
mantra,
palavra,
ela.
Ilusão,
caminho,
destino,
tela,
predileta.
suave, sonora,
sinuosa,
vela.
Musica,
mantra,
palavra,
ela.
Ilusão,
caminho,
destino,
tela,
predileta.
Números
Toquem sem parar infinitas melodias,
transforme-se em fogo
a luz de mil dias.
Revolvam-se em ondas
todos os sete mares,
e com o cheiro de dez mil rosas
perfumem todos os lugares.
Me entreguem o destino e o mundo,
tudo.
Me transformem em deus,
que tudo pode, tudo sabe, tudo vê.
E ainda assim trocaria o mundo e o destino,
tudo.
E todos esses números
por uma só de você.
transforme-se em fogo
a luz de mil dias.
Revolvam-se em ondas
todos os sete mares,
e com o cheiro de dez mil rosas
perfumem todos os lugares.
Me entreguem o destino e o mundo,
tudo.
Me transformem em deus,
que tudo pode, tudo sabe, tudo vê.
E ainda assim trocaria o mundo e o destino,
tudo.
E todos esses números
por uma só de você.
Minas
Quem por sorte conhece teu relevo sinuoso,
e mesmo sem entender desfruta algo que um pouco os teus mistérios,
jamais pode negar que tu se torna para sempre namorada,
presente e saudosa nos melhores sonhos,
bela e serena,
simplesmente: Minas.
e mesmo sem entender desfruta algo que um pouco os teus mistérios,
jamais pode negar que tu se torna para sempre namorada,
presente e saudosa nos melhores sonhos,
bela e serena,
simplesmente: Minas.
Luisa
E Luisa encerra todas as mulheres do mundo.
Na verdade,
Luisa encerra tudo.
Tanto
que me faltam palavras para descreve-la.
Todas moram em Luisa.
Na verdade,
Luisa encerra tudo.
Tanto
que me faltam palavras para descreve-la.
Todas moram em Luisa.
Ventre
Incenso
cheio de cores e temperos
saborosos
fervilhante caldeirão.
Mistério,
divino abismo,
de tons azuis e vermelhos,
palheta da perfeição.
Reconfortante,
lar do corpo
e coração
dos homens que seduz.
Templo
úmido, como a chuva
que beija um jardim,
deixando paz e inspiração.
Água,
mel e fel,
que matam minha sede.
Vício,
quando é descoberto ser impossível
viver sem ti .
Vida,
quando tudo é encontrado,
e vivido e sentido e calado
desejado e guardado
neste ventre de mulher.
cheio de cores e temperos
saborosos
fervilhante caldeirão.

Mistério,
divino abismo,
de tons azuis e vermelhos,
palheta da perfeição.
Reconfortante,
lar do corpo
e coração
dos homens que seduz.
Templo
úmido, como a chuva
que beija um jardim,
deixando paz e inspiração.
Água,
mel e fel,
que matam minha sede.
Vício,
quando é descoberto ser impossível
viver sem ti .
Vida,
quando tudo é encontrado,
e vivido e sentido e calado
desejado e guardado
neste ventre de mulher.
O amor(I)
Seja por urgência
ou seja por saudade
constante é a sua preseça,
a dor.
Uns chamam de paixão,
outros dizem que é amizade,
a mim, apresentaram como amor.
ou seja por saudade
constante é a sua preseça,
a dor.
Uns chamam de paixão,
outros dizem que é amizade,
a mim, apresentaram como amor.
O ser humano
O ser humano é assim,
tão contraditória existência
diferença, convergência,
tão incomoda coincidência.
Que acaba sendo tudo igual.
tão contraditória existência
diferença, convergência,
tão incomoda coincidência.
Que acaba sendo tudo igual.
Ciume
Quem desconfia do mundo,
de tudo,
assim de forma abundante,
pensa que se liberta do ciume
de tudo,
que se torna redundante.
Mas a verdade cruel,
gritante
é que permanece preso, atado,
ser inconstante,
tendo trocado uma cela pela outra.
de tudo,
assim de forma abundante,
pensa que se liberta do ciume
de tudo,
que se torna redundante.
Mas a verdade cruel,
gritante
é que permanece preso, atado,
ser inconstante,
tendo trocado uma cela pela outra.
E assim te quero
E assim te quero
como da primeira vez,
quero agora como antes
como nunca,
intensa,
urgente.
Te quero sempre,
porque você é sol,
é chuva,
Você é mar
e serra.
Você é a fruta
é a vida,
você é o tempero
e a sina.
Te quero porque você é meu espelho,
serena e viva.
É minha tempestade mais forte.
é minha vida, minha morte,
é a cura
e a ferida.
Te quero como quem precisa do ar
para viver,
como quem precisa de palavras
para escrever,
porque da minha vida
você é a prosa
e o verso.
É o meu avesso,
meu inverso,
você é meu livro
aberto.
Te quero
somente porque você é você,
assim,
minha vida, minha escrita
que independe de mim.
É uma onda que dá,
que tira.
Te quero porque você é mulher,
menina,
pintura, escultura,
uma poesia que respira.
como da primeira vez,
quero agora como antes
como nunca,
intensa,
urgente.
Te quero sempre,
porque você é sol,
é chuva,
Você é mar
e serra.
Você é a fruta
é a vida,
você é o tempero
e a sina.
Te quero porque você é meu espelho,
serena e viva.
É minha tempestade mais forte.
é minha vida, minha morte,
é a cura
e a ferida.
Te quero como quem precisa do ar
para viver,
como quem precisa de palavras
para escrever,
porque da minha vida
você é a prosa
e o verso.
É o meu avesso,
meu inverso,
você é meu livro
aberto.
Te quero
somente porque você é você,
assim,
minha vida, minha escrita
que independe de mim.
É uma onda que dá,
que tira.
Te quero porque você é mulher,
menina,
pintura, escultura,
uma poesia que respira.
Wednesday, October 18, 2006
Flor do meu amor
Desde que te vi você é assim
doce presença loira,
camomila e jasmim,
sereno lírio branco,
meu jardim.
Ainda que teu perfume
me embriague certas vezes
sem você, o que será de mim?
Por favor não se assuste com meus outonos,
minhas neuras,
meus sonos,
não fuja do meu abandono
porque é a vida me ensinando
que não posso viver sem ti.
doce presença loira,
camomila e jasmim,
sereno lírio branco,
meu jardim.
Ainda que teu perfume
me embriague certas vezes
sem você, o que será de mim?
Por favor não se assuste com meus outonos,
minhas neuras,
meus sonos,
não fuja do meu abandono
porque é a vida me ensinando
que não posso viver sem ti.
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